AS CRIANÇAS SÃO A MELHOR COISA DO MUNDO

São fonte de alegria e de sorrisos e raramente fingem quando estão doentes...
Este é mais um espaço que espero útil para aqueles que por cá passem ...

16/07/2010

FEBRE

A febre é o motivo mais frequente de ida à urgência ou de procura do médico assistente. A febre assusta, porque "dá convulsões, provoca lesões cerebrais, pode matar"... Tudo isto poderá ser verdade, mas não o é em mais de 95% dos casos.

A temperatura do corpo é diferente de pessoa para pessoa e varia ao longo do dia, sendo mais elevada ao final do dia e à noite. Consideramos febre Taxilar >38ºC, sendo que no ouvido será mais 0,5º C e no rabo mais 1º C. A febre é um sinal de resposta do organismo a algo que o agride , quase sempre um micróbio (bactéria, vírus). A temperatura deve ser medida, registada e aliviada com antipiréticos, de preferência o paracetamol. Não se deve oferecer às crianças aspirina!! Evite pôr panos de água fria: isso só faz com que a febre suba ainda mais (o banho deve ser com água apenas um pouco menos quente do que a temperatura do corpo)! O valor da temperatura em si não nos preocupa mas sim, o estado em que a criança está. Damos indicação para baixar a febre para: tirar o desconforto que a febre dá, perceber como é que fica a criança sem febre (é diferente uma criança gemer com pico de febre ou continuar com gemerico sem febre) e ver se a febre baixa ou não. Deve esperar-se cerca de três dias (72 horas) de febre até consultar o médico, excepto em algumas situações, de modo a haver tempo para outros sintomas aparecerem e ajudarem no diagnóstico. Fale com o seu médico assistente se:

* febre em bébés com menos de 3 meses;

* febre+gemido persistente;

* febre+recusa alimentar;

* febre+dificuldade em respirar;

* febre+mau estado geral (palido, cinzento)/prostrado

* febre+ pintas na pele

* febre e dores de cabeça e/ou dor pescoço e/ou vómitos

* febre+convulsão

* febre com calafrio (bater o dente, labio roxo)

* febre e inchaço, vermelhão e dor nalguma parte do corpo (joelho, cotovelo,..)

MB

11/07/2010

A ICTERICIA

A ICTERÍCIA é a coloração amarela que as escleróticas (parte branca dos olhos) e a pele adquirem. Ela tem muitas causas, umas naturais e benignas, outras que traduzem doença. A icterícia é muito frequente em recém-nascidos, sobretudo naqueles que são prematuros; que tiveram irmãos com icterícia neonatal; que nasceram por ventosa (e têm um hematoma craniano) e que fazem alimentação materna exclusiva. No entanto, esta icterícia não é patológica e por isso os pediatras na maternidade vão avaliando o recém-nascido para perceber se estes valores são aceitáveis para as horas de vida que têm e se é necessário fazer análises e realizar fototerapia (aquela luz ultravioleta como a do solário) para a icterícia não atingir valores que possam fazer mal ao bébé. Por vezes, quando os bébés nascem, podem ficar ictéricos porque o sangue deles e da mãe é incompatível e é preciso vigiar.

A icterícia, independentemente da idade e juntamente com outros sintomas/sinais associados, como fezes brancas, urina escura "cor de coca cola", febre, mal estar geral, significará doença e deve consultar o médico assistente.

MB

06/06/2010

FIMOSE E SINÉQUIA DOS PEQUENOS LÁBIOS

A Fimose consiste na impossibilidade de puxar a pele que cobre a glande (“a cabeça do pénis”) para trás. É considerada uma situação fisiológica e muito comum em crianças pequenas. Antigamente era frequente fazer a circuncisão mas actualmente, desde que o bebé faça bem chichi não se opera. Normalmente, a partir dos três anos, no banho eles começam a mexer devagarinho e a tentar puxar a pele para trás e, quase sempre, são bem sucedidos. Só pelos 9-10 anos é que se a fimose se mantiver muito apertadinha é que deve ser corrigida. A Sinéquia dos pequenos lábios consiste em ter os pequenos lábios da vulva colados. É uma situação frequente e quase sempre resolve com a colocação de um creme que contém estrogéneos nessa zona.


MB

INTOLERÂNCIA À LACTOSE

A lactose é um açúcar presente no leite e nos seus derivados. No intestino, existe uma enzima, a lactase, responsável por degradar este açúcar e permitir a sua absorção. Às vezes, de uma forma permanente (por transmissão genética por exemplo) ou transitória (a seguir a uma infecção do intestino) a enzima não está presente e este açúcar não é absorvido, dando origem a sintomas inespecíficos como dor abdominal, flatulência (“gases”) e diarreia associada. O dignóstico é feito pela clínica, em conjunto com o doente e com o médico assistente e o tratamento consiste em evitar este tipo de alimentos. Para bebés há leites próprios sem lactose, que não devem ser feitos de forma trivial: apenas por indicação médica. Actualmente durante as diarreias por infecção já não se recomendam dietas sem leite ou leite sem lactose.

MB

02/06/2010

ALERGIA/INTOLERÂNCIA ÀS PROTEÍNAS DO LEITE DE VACA

As fórmulas para lactentes ("leite em pó"), o leite de vaca em natureza e outros produtos como iogurtes, bolacha-maria, creme/natas contêm proteínas de leite de vaca. Quando os bebés deixam de amamentar de forma exclusiva entram em contacto com estas proteínas e alguns podem ter reacções alérgicas como falta de ar, manchas na pele ou vómitos/diarreia (por vezes com sangue). Estas situações não se associam a febre e talvez a situação mais perigosa seja mesmo a dificuldade respiratória. Se tiver esta suspeita fale com o médico assistente e se ele aconselhar evite estes alimentos. Há leites próprios para crianças com alergia às proteínas do leite de vaca. A reintrodução destes leites deve ser feito em ambiente hospitalar pelo risco de aparecimento de dificuldade em respirar. O rótulo de alergia às proteínas do leite de vaca não tem que ser eterno porque os bebés pequenos podem fazer alergia mas mais tarde podem deixar de o fazer e alimentar-se livremente. Não confundir alergia às proteínas do leite de vaca com intolerância à lactose. São coisas diferentes e desta última falaremos numa próxima oportunidade.

MB

16/05/2010

AS GASTROENTERITES

Boa tarde. Tenho notado no serviço de urgência que as infecções respiratórias têm abrandado e que as infecções intestinais estão aí. A gastroenterite (gastro=estômago; entero=intestino; ite=inflamação) é uma doença muito frequente nas crianças, causada sobretudo por vírus, que pode durar 2-3 dias a uma semana. Esses vírus provocam alterações no estômago dando origem a vómitos e, chegando ao intestino, dão diarreia, às vezes com sangue e muco. As crianças podem ter febre associada e dor de barriga tipo cólica. Os vómitos e a diarreia são a forma inteligente (apesar de desconfortável) que o organismo tem em rejeitar algo que não lhe está a fazer bem e por isso, não gostamos de dar medicamentos para parar vómitos ou diarreia. A principal preocupação na gastroenterite é a desidratação e enquanto crianças maiores têm reservas e desidratam mais dificilmente (pelo menos de uma forma grave), o mesmo não se aplica a bebés pequenos. Assim, é preciso vigiar os sinais de desidratação que devem levar a consultar a linha Saúde 24 ou o médico assistente: ausência de lágrimas, ausência de baba, língua seca, olho encovado, prostração, irritabilidade, não fazer chichi e sangue abundante nas fezes ou nos vómitos. Ofereça comida ao seu filho, mas não insista (nao lhe dê gorduras ou legumes verdes). O mais importante é hidratá-lo. Ofereça leite e água (aos golinhos se estiver a vomitar) e melhor do que água são os soros de hidratação oral disponíveis na farmácia (porque além de agua perdem sal nos vómitos e na diarreia). Não lhe dê sumos ou refrigerantes porque têm muito açúcar e provocam mais diarreia. Se tiver febre use paracetamol. Lave bem as mãos para não ficar também doente.

MB

07/05/2010

TRAUMATISMO CRANIANO

O nome traumatismo craniano assusta muito mas não é mais do que o próprio nome indica: uma pancada na cabeça (por queda, por bolada, por embate,...). As crianças pequenas costumam ter vários traumatismos cranianos mínimos quando começam a andar (ou a correr), geralmente sem importância. Batem com a cabeça, caem, levantam-se, fazem beicinho, choramingam um pouco sobretudo quando os pais vêem e continuam a brincar. Por vezes podem fazer pequenas feridas, que se forem escoriações apenas precisam de gelo e desinfecção mas se forem feridas abertas têm de ser avaliadas porque podem precisar de cola biológica, uns pensos especiais ou mais raramente de "coser".

Agora, atenção:

Aos bebés que a partir dos 4, 5 meses rebolam e caem da cama dos pais (ai Dra. mas fui ali só um segundo) ou aos recém-nascidos que caem do colo dos irmãos ou aqueles que caem dos ovos que estão em cima de mesas e cadeiras!! (O ovo é para estar no chão!)

Em qualquer idade atenção a estes sintomas após traumatismo: perda de conhecimento, vómitos persistentes, comportamento estranho, alterações visuais, movimentos estranhos como convulsões e dores de cabeça intensas.

MB